30.10.16

Desencantamento

É esta a palavra que me vem à cabeça agora, a que melhor descreve o meu estado de espírito.

Estou a atingir o limite que 'aguento' num sítio, em termos profissionais. Sem poder fazer o que queria, sem recursos humanos nem financeiros, incompetência, o não assumir de acções e de erros... Não, isto não é mesmo para mim!


29.8.16

And now, the Lady of the Caves!

Afinal ainda é bem pior do que pensava...! Não é só não tem interesse nenhum: é ter parado no tempo, há pelo menos 60 anos! Qualquer coisa que vê é uma vivência ("uma estrada... e ali outra... para onde vão?"ou "Em que estrada estamos? A8? O que é isso? Porque é que puseram números e não chamam só AE do Norte e do Sul? Para onde é que esta vai?"). Placas lidas em voz alta, como se fosse tudo uma descoberta, como se não nunca tivesse ouvido falar em alguns dos mais importantes bairros periféricos da capital.  E a lentidão com que faz tudo... 

A casa. A casa é assustadora! Sobre o lava-louça contei pelo menos 10 embalagens vazias de leite! Uma aberta com lixo lá dentro, que tinha ficado, assim, uma semana (pelo menos). Baldes por todo o lado. O quarto, pior que uma arrecadação. "Desculpa, a casa está assim porque saí à pressa quando me vieram buscar, tinha acabado de me levantar."  Às 5 da tarde! E a mobília, acho que já nem faria as delícias de nenhum antiquário.  

Não tem TV. Não tem frigorífico "porque se avariou e a bem dizer não precisa".   A verdadeira Mulher das Cavernas!

E no meio de tudo isto fala das viagens que fez ao outro lado do mundo, há muitos anos, de como a tratavam bem, dos hotéis de 5 estrelas onde ficava, dos "criados que gratificava".  E sim, para manter o padrão, de como se atrasava às excursões e acabava por não as fazer.

Parou no tempo. Cristalizou. Não vive. Não sei se alguma vez viveu.

26.8.16

Radio silence?

Não quero ser a primeira a dar notícias esta semana, mas estranho tanto tempo sem dizer nada. Não sei o que possa ter feito... Sim, precisamos de 'desmame'. Precisamos de não estar tão dependentes um do outro. Mas nem um 'olá, estás bem?'... 

A semana passou bem estou cansada, e sei que teria sido mais fácil se tivesse dado notícias.

Tentei perceber se teria acontecido alguma coisa mas sem sucesso.

Só queria saber se está bem. 


Gente que não vive

Tenho pena de quem respira sem viver. De quem só respira porque o faz sem pensar, mas não vive.

Estou a pensar num caso em concreto. Nos seus setentas, viajada q.b., foi professora de Inglês no secundário. Não tem TV em casa porque diz que não precisa. Solteirona, viveu muitos anos com uma empregada uns bons anos mais velha do que ela.  Está a leste do que se passa no mundo, não se interessa por nada. Não lê jornais, não lê livros. Cultura geral: zero. Dorme. Nada lhe suscita o mínimo interesse, nem uma actividade, nem um passeio. Dorme. 'Ursa'. Hiberna. Respira porque sim. Não vive. Não sei se alguma vez viveu. Conseguiu cortar relações com toda a família. 

Contam-se pelos dedos de uma mão (e ainda sobram...) as pessoas que se preocupam com ela, que lhe procuram fazer companhia. 

Tenho pena de gente assim, de gente que 'é coisa' por opção.

 

25.8.16

Back to the past

Como estou agora a retomar o bom velho (e demasiado intermitente) hábito de aqui vir deixar um grasnar, resolvi ler posts antigos, pelo menos até nos termos conhecido. Reli os propósitos, as lutas internas, os abrires de alma. E deu-me força para este 'desmame', para perceber o que é mesmo importante, o que quero, o que queremos.

Às vezes ir lá atrás ajuda tanto a andar para a frente pelo caminho correcto...! Que este seja o caso, para o bem de ambos! E que as 'meditações' dele também estejam a dar bons resultados!

Estou cansada. Muito. Mesmo.

É este o inconveniente de ir de férias tão tarde. À minha volta todos foram já ou estão de férias, e acaba sempre por sobrar para quem ainda não foi.

Saí tarde, para não variar, e precisei de ir ver o mar. Apetecia-me chorar; sei que me faria muito bem e que me 'aliviaria' por mais uns dias. Mas estou já naquela fase em que o cansaço acumulado é tanto que nem isso consegui fazer...

O que vale é que amanhã é já sexta!

Missing you...

Tenho saudades, sim. Das conversas, da companhia, de teclar durante o dia a saber como estás. Já sabia que o 'desmame' seria assim...

Estás bem, de férias, em família e com amigos, como gostas. E sabes onde e como me encontrar. Anytime. Quando quiseres.

Também me faz voltar a estar assim sozinha. A 'desintoxicar' de um vício bom. Que as vezes se tornava mau...

23.8.16

Ai ai ai ... (versão ano e meio depois)

Estive quase ano e meio sem escrever nada aqui mas posso começar este post exactamente da mesma maneira que comecei o último. Nada mudou, e no entanto tanto mudou...! 

Sim.

"Estive uns tempos longe daqui. E muito aconteceu.

A Amizade foi-se estreitando, as confissões aprofundando. E o desejo também foi aumentando, muito. E sim, já aconteceu, algumas vezes, com os limites que - surpreendentemente - são os de ambos."

Só que, como ele ainda há uns dias referiu, o desejo tornou-se vício. E como todos os vícios, tem perigos.  Mas é tão bom quando acontece! 



10.2.15

Ai ai ai...

Estive uns tempos longe daqui. E muito aconteceu. 

A Amizade foi-se estreitando, as confissões aprofundando. E o desejo também foi aumentando, muito.  E sim, já aconteceu, algumas vezes, com os limites que - surpreendentemente! - são os de ambos: 'lá', no T1, hoje no T0, a seguir a um almoço ligeiro no sem cabelo.  Nenhum de nós tinha a intenção que houvesse alguma coisa, até porque ontem tínhamos definido novo propósito, ambicioso. Mas depois do almoço um convite para o T0 e a conversa foi correndo, e não foi só a conversa... 

Na semana passada, uma inovação: msg! E não é que nos portámos bem? Ficámos mesmo muito contentes, orgulhosos, confiantes. E hoje...

E por mais que ele diga 'se não falarmos algum dia não há problema', por norma é ele que toma a iniciativa de falar. E aos Domingos é habitual termos converseta à tarde.

Os almoços também têm sido mais frequentes. 4ª, 6ª no R, hoje ali...

Queremos, gostamos, desejamos. Muito. Mas ambos sabemos, dizemos, queremos, que a fortíssima Amizade, a confiança, a abertura sem filtros não seja ofuscada por esta adrenalina, este desejo tão animal. Que é bom, é muito bom! Mas não é, não pode ser, não queremos que seja o mais importante.

Queria não gostar de estar com contigo...Mas é tão difícil não querer!

8.11.14

E assim vamos andando

Bem podemos dizer que temos de nos controlar, mas a vontade de estarmos juntos e de conversarmos é bem mais forte. Quinta não nos vimos (não foi), mas ontem foi café de manhã e um longo café ao final do dia, no Parque. Encontrámo-nos na cidade, no caminho e acabámos por ir a falar ao telemóvel todo o caminho. E depois, mais 2 horas e meia juntos (!). Muita conversa, sobre carros, sobre nós. Muito sobre nós. Muitas confissões, coração aberto de par em par. O que somos um para o outro, o que queremos, o que podemos ter. Vontade de tocar, mas não só. E sim, voltaremos a estar juntos, porque gostamos, porque queremos. 

Disse-lhe que gostava que nos tivéssemos conhecido noutras circunstâncias. Ele também. Apesar de tudo isto, estou feliz por nos termos encontrado, apesar de todas as limitações que temos.  

Uma Amizade que cresce sem fim, dia a dia. 

30.10.14

:-)

E à saída estava à minha espera. :-) Que bela surpresa!
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29.10.14

Ironicamente agri-doce

Nunca acreditei que fosse possível ter uma identificação, uma ligação, uma cumplicidade tão forte, tão profunda com alguém.  E quando encontro alguém que me mostra que isso existe, surgem tantas limitações que nos obrigam em cada dia, em cada momento, a lutar e a tentar resistir. Com todas as nossas forças. 

Mas fico muito feliz por ter encontrado o meu chinês de 80 anos...

É um sentimento agri-doce. Muito, muito doce. Mas também muito agri.

Sinto-me como uma criança diabética numa loja de doces.

Tento entender.  Acho que Ele fez com que nos encontrássemos para que nos ajudássemos um ao outro neste processo difícil, nesta luta diária que já teve e continuará a ter quedas. Mas temos de ser fortes, temos de pensar não no momento mas no que queremos para ambos, no que será melhor para cada um de nós. Pensarmos no que será melhor para o Outro.

Que Ele nos ajude e dê forças!


E hoje pela 1ª vez chorei...

Já não nos vamos voltar a encontrar esta semana (não pode ir amanhã nem sexta). Mas combinámos ir falando por Skype ou mesmo - sugestão dele - por telefone.  Até que a conversa passou para o "se não falarmos um dia não há problema, isto não se pode sobrepor à nossa vida, às nossas agendas". Foi mais para mim ou para ele?  

Tem razão, tem toda a razão!  Temos de ir com calma, ser racionais, evitando fazer asneiras, algo que estrague o que temos. Eu sei que tem toda a razão, mas custa porque gosto, gostamos muito, sabemo-lo. Mas de facto não pode ser viciante; tem de ser uma relação saudável.

O dia também não foi fácil, com stresses do J, stresses para a R, discussões, uma noitada por lá minha e dela.  E a noite tinha sido má, com o estômago a mostrar-se em força.

Precisava de um abraço. Dele.

Ouvi Albinioni.


27.10.14

Outra vez...

Hoje aconteceu de novo. E foi tão, mas tão bom!  É atencioso, cuidadoso, carinhoso... Tudo começou com um vídeo totalmente soft que lhe tinha enviado. A brincadeira desenrolou-se, e a meio da manhã desafiou-me para novo 'almoço'.  

Como seria de esperar, à tarde, foi tudo bem dissecado. Gostámos ambos, muito, mas não queremos banalizar. Não é o mais importante, não queremos que o seja. E sabemos que nada poderá mudar nas nossas vidas com tudo isto. Mas podemos - e certamente iremos - ajudar-nos um ao outro a sermos melhores. 

Falámos do nosso  Amigo. Do quanto nos pode ajudar. O pior é que eu não consigo dizer de forma convicta que não quero voltar a 'almoçar', que estou arrependida.  É demasiado bom, e como ele diz, aproxima-nos ainda mais. Cada vez mais. 

A meio da tarde, enquanto teclávamos, perguntei-lhe a que hora tinha nascido. Perto da minha - e é de estranhar? ;)  Depois, fiz por brincadeira o teste de compatibilidade. Na mouche! 

A fasquia está muito alta. Não sabia que era possível ter uma empatia, um entendimento tão forte com alguém. Não precisamos falar, há uma total sintonia. Mesmo o que nos parece ser mais estranho, mais difícil de explicar, é facil e rapidamente percebido - e sentido - pelo outro.  Não acreditava que isto fosse possível mas aconteceu. Não creio ter a sorte de voltar a sentir isto, de encontrar outra pessoa por quem sinta esta ligação tão forte.

E não, não estou apaixonada nem nada parecido. Racional, pragmática. Tudo perfeitamente claro para mim. Para nós.


24.10.14

Está difícil...

... Muito!

Ontem conheci o escritório dele. Seria uma reunião de trabalho (falamos de trabalho, é verdade), com toques (dele) la pelo meio e eu com vontade mas sabendo que nada poderia acontecer.

Mas à despedida aconteceu. Beijos, mais toques. Um desejo imenso reprimido.
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20.10.14

The day after

Reencontrámo-nos hoje pela 1ª vez depois 'daquilo'. O programa normal: M, café, converseta durante o dia. Foi tudo dissecado, muito. Tentou saber do que mais tinha gostado, do que não tinha gostado. Porque tinha reagido desta ou daquela maneira. O porquê dos meus limites. Tentei saber do que mais tinha gostado, o que poderia melhorar.

Sei que também gostou. Foi de facto muito, muito bom!  

E sim, tenho a certeza que repetiremos. Porque queremos, porque gostámos, porque nos faz sentir bem. Porque sim.

E a T pôs-se de pé...;)

E finalmente, 3 meses e uns dias depois, a T pôs-se de pé! Quando cheguei a casa dos Pais, a Mãe estava ao telefone, emocionada, com a notícia que acabara de receber. Ficámos felizes, com mais confiança. E com a certeza de Alguém está de facto a olhar por nós, pela T. 

17.10.14

Aconteceu

E foi muito, muito bom! 3 voltas ao circuito, como disse? Para mim é record absoluto! :)
Fiquei, ficamos bem mais calmos.
E não pode estragar a Amizade que existe, de maneira nenhuma!

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15.10.14

1 mês depois...

Sim basicamente tudo começou... há apenas 1 mês!  Hoje, enquanto tomávamos café, recordámos 'a nossa história'. Recordações a dois, porque se lembra de tudo, de todos os detalhes, desde o 1º dia. O que dissemos, o que fizemos, onde estávamos. Sintonia perfeita! Gostei de saber que também recordava todos os pormenores 'de nós'.  Falei-lhe do meu chinês de 90 anos...

Confessou que nunca tinha sentido uma ligação tão forte com ninguém. Inexplicável?  E deixou escapar (ou quis eu ouvir?) que lamentava as circunstâcias em que nos tínhamos encontrado.  

Fossem outras e não tenho dúvida de que tudo (ou nada?) seria diferente...!

Almas gémeas? Sim, só pode ser isto!



14.10.14

Orgulho, respeito, cada vez mais!

Hoje a picardia subiu de tom e de condimentou-se qb via Skype.  Ao final do dia, tínhamos ambos reuniões relativamente perto e a acabar à mesma hora. Foi inevitável falarmos em combinar qualquer coisa. 

Como ele disse, estávamos ao rubro, e ambos preparados e cheios de vontade para o que desse e viesse (leia-se tudo o que fosse possível).

Liguei-lhe quando saí e rapidamente concordámos que seria um erro encontrarmo-nos, 'calientes' como estávamos. Acabámos por ficar a conversar mais de meia hora, eu no carro ainda parado, ele no trânsito.  

Dissemos o que ambos sabemos: a vontade é muita, o desejo aperta, mas mais importante do que tudo é o respeito, o que carinho que sentimos um pelo outro, esta vontade de fazer consolidar a Amizade que tão rapidamente cresceu.  

Nenhum de nós quer que o desejo se sobreponha à Amizade. Certamente tropeçaremos, acho que não temos dúvida. E estamos conscientes, quando o fizermos, que terá de ser apenas um adereço, a cereja no topo do bolo que é esta relação já tão forte, tão especial. 

O meu respeito por ele, já tamanho, cresceu ainda mais.  

A naturalidade com que falamos das coisas, com que EU consigo falar de tudo, 'sem espinhas'. As ideias tão alinhadas... É tão fácil conversar, não há discussões, pensamos de forma tão igual!

Que relação é esta, tão única?  (Tenho pensado se não será o meu chinês de 90 anos...)

Orgulho em nós, muito!