31.1.06

Ser Português...

Num outro blog que partilho com amigos ("Konsultorio do pecado") escrevi há momentos isto, no seguimento de uns comentários sobre a 'tuguice':

"Sabem que são precisamente todas as idiossincrasias dos 'tugas que me fazem gostar tanto de também o ser? Ok, muitas vezes desespero com o 'chico-espertismo' luso, com a ideia que nos corre no sangue que as todas as leis são para serem contornadas (sim, todas têm uma falta qualquer! Acho mesmo que os legisladores já o fazem de propósito para facilitar a vida aos seus compatriotas), com a preguicite crónica, com o nosso sangue quente, com o queixarmo-nos sempre de tudo, com a cusquice,...

Alturas houve em que achei que, como país, ainda poderíamos dar a volta por cima, mas hoje em dia acho impossível. Não que não tenhamos capacidade e recursos para tal, mas isso daria muito trabalho... Teríamos de ser mais sérios e honestos, de pagar os impostos, de sermos mais disciplinados, mas tudo isto vai contra o nosso 'âmago', seriam atitudes contranatura para os 'tugas.

Apesar de tudo isto, gosto destas nossas pequenas coisas de esquecermos todas as tristezas e dificuldades e irmos para a rua fazer bonecos de neve no capot dos carros com os primeiros flocos de neve que vimos em Lisboa. Ou da emoção que nos une à Selecção (embora sabendo que todos estão sujeitos a passar de bestiais a bestas e a bestiais novamente num piscar de olhos). Ou de nos queixarmos da falta de dinheiro mas enchermos tudo o que é festival de Verão e estádios de futebol nos jogos 'grandes' (ah, já para não falar da romaria ao Santo- Algarve-de-todos-os-sóis sempre que nos pudermos 'baldar' ao trabalho).

À nossa maneira, acho que somos a versão lusa de D. Quixote: vivemos de ilusões, somos capazes de mudar o mundo, dizemos das boas aos chefes ou ao vizinho que faz barulho até tarde, mas no dia seguinte lá andamos nós mansinhos, e ainda somos oferecemos "A Bola" ao chefe para ele ler as últimas do Glorioso. Ou convidamos o vizinho para ver a bola lá em casa.

E conhecem algum outro país onde se coma tão bem e tão variado como neste nosso outrora jardim à beira-mar plantado? Sempre bem regado, claro...

Temos muitos defeitos, mas gosto de nós assim! Embora reconheça que nalgumas coisas poderíamos fazer francos progressos..."

E o sentirmos o coração pequenino de saudades?

Já o Grande Fernando Pessoa dizia que "o português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja, porque somos um grande povo de heróis adiados". Aliás, num jornal que já não existe (terá sido n'"A Tarde"?) foi feito há muitos anos uma trabalho que achei memorável: o(s) jornalista(s) (?) 'faziam' várias perguntas a que Fernando Pessoa respondia com extratos de obras suas. Lembro-me de ter achado tão interessantes essas 2 páginas de entrevista póstuma a Pessoa que as quis guardar religiosamente. E guardei-as tão bem... que nunca mais as encontrei! Esta frase vinha lá, e era o início de uma das respostas que é, recordo-me, a melhor descrição que já li sobre o que é Ser Português.

E olhem que não é qualquer um que pode ser 'tuga! É uma arte só nossa, 'impartilhável'...

30.1.06

Que saudades do mar...

Estou triste... por coisas que não valem a pena, eu sei, but can't help feeling like this. Blueish, quite blueish... Tenho saudades de passear junto ao mar, preciso de receber alguma da energia, gostava de estar agora a ouvir as ondas bater com força nas rochas...

Gostava de ter aqui por perto um ombro amigo, Aquele ombro amigo, o que ainda não conheço. Só gostava que Aquela voz me dissesse algo como "Não te preocupes, vai correr tudo bem, amanhã o dia será melhor". Ou qualquer outra mentira parecida, mas que dita pela sua voz me parecesse a verdade mais absoluta do mundo!

Não que o dia tenha corrido particularmente mal, mas vejo tanta asneira à minha volta, gente que teoricamente deveria perceber mais das coisas do que eu, mas que são 'putos', parece que brincam com coisas sérias... Criticam, mas não têm noção das coisas, e quando faço perguntas olham para mim como se de um extra-terrestre se tratasse. O chefe não me pergunta como estão a correr as coisas, vou fazendo o meu trabalho (já consegui algumas vitórias, partilhadas com outros colegas!), mas quando mostro os bons resultados que obtive, olha com o ar mais indiferente que consegue pôr. Não há respeito! Espero semanas e semanas por uma resposta simples, que nunca chega... Prometem mundos e fundos, tenho de assumir objectivos e depois 'cortam' todos os recursos que me permitiriam atingi-los. E quando tento explicar porque é que foram apenas parcialmente atingidos, ninguém se lembra das mudanças erráticas de estratégia, da redução dos orçamentos, da resposta que nunca veio... às vezes é tão difícil ganhar dinheiro!

Sei que me estou a queixar de barriga cheia, ainda me sinto pior por estar a reclamar. Ao menos tenho emprego; tenho amigos, excelentes profissionais, com menos sorte do que eu.

E o €milhões que não me bate à porta...!

28.1.06

Francesinhas


As melhores Francesinhas do Porto estão aqui (sim, porque só no Porto é que há, o resto são imitações!) . A casa do Ramalde é numa ruela mesmo junto à Igreja. A não perder! Depois de virem aqui, esqueçam todas as outras casas afamadas; tenho a certeza que ficarão fiéis! Ah, já agora, as Francesinhas são ENORMES (uma dá para 2 pessoas). E o molho... Hummm, não vos digo nada....!

27.1.06

Um lavar de alma...

Esta semana tive de ir ao Porto. Bom, "tive" foi palavra mal escolhida... É sempre um prazer ir ao Porto, ir descobrindo a cidade e o rio a cada metro de ponte que atravessamos, apreciar a Ribeira vista de Gaia, comer uma bela francesinha ou outra das magníficas iguarias que só se encontram lá e, acima de tudo, as pessoas!

Apesar de lá ter estado menos de 24 horas, pude fazer um pouco de tudo isto: confirmar, quão calorosas as pessoas da cidade são; fazem-nos sentir em casa, "mimam-nos", dão-os o seu melhor. As francesinhas ("dieta" à base de francesinhas, foi o que fiz enquanto lá estive!). Saboreei um Vinho do Porto, em boa companhia... A juntar a tudo isto, a reunião de trabalho correu muito bem!

Mas o que verdadeiramente me "lavou" a alma foi um passeio que resolvi dar à noite, sozinha, junto ao rio. Fui até Gaia, ao Cais de Gaia, e por lá fiquei um bom bocado. A noite estava fresca, mas nem imaginam o bem que me soube estar aí, a sentir o vento frio na cara, a olhar para o serpenteado do Douro, para os barcos rabelos que ali estavam acostados, com um fundo simplesmente magnífico: luzinhas amarelas pontilhavam as casas pequeninas da Ribeira e toda a encosta e a ponte. Parecia a iluminação de uma casa de bonecas! As curvas do rio "aconchegam" a cidade, protegem-na sabe-se lá do quê ou de quem. Ou se calhar ajudam a manter o segredo que tornam o Porto e as suas gentes tão especiais...!
Os minutos que ali fiquei, a admirar aquele espectáculo foram um verdadeiro bálsamo, um "lavar de alma". O cansaço desapareceu por magia, algo me prendia ali ao chão, não queria ir embora...

22.1.06

A tradição já não é o que era...

Lembram-se de como eram as noites das eleições há uns anos? As projecções não eram imediatas, só uns minutos depois das 7, só na RTP (ainda sem cor) e na rádio, e os resultados íam sendo conhecidos noite dentro. Em várias noites eleitorais deitei-me quase de madrugada, na ânsia de não perder pitada... E muitas vezes só na manhã seguinte, ao acordar, ouvia os resultados mais ou menos finais. Havia um nervosismo, uma agitação, un suspense no ar por várias horas.

Hoje é tudo muito rápido (excepto quando o sistema informático do STAPE faz greve, uma verdadeira anedota!), o nervosismo e a agitação já não se comparam. O espectáculo é hoje o mais importante, tudo está preparado para as várias televisões. E a rádio tem já um papel completamente secundário. Sinais dos tempos? Claro que sim, é bom evoluir, ter acesso aos resultados tão rapidamente, poder ver e ouvir todos os vencedores e vencidos onde quer que estejam. E os comentadores (sim, que todos têm sempre qualquer coisa a dizer sobre tudo).


Tudo é diferente, tudo é mais rápido, mas aquelas noites eleitorais a preto e branco tinham magia...

19.1.06

Pequenos grandes prazeres...

Como de costume, cheguei cedo ao escritório. Como de costume, puxei os estores e abri as janelas de par em par, para entrar o ar (bem) fresco da manhã. (Já sei que as janelas e os estores se fecham quando começam a chegar os meus colegas.) O sol entrava direitinho à minha mesa! E assim fiquei, largos minutos, com o sol a bater-me na cara, enquanto ligava o computador e organizava o dia. Que luxo, que prazer saber que lá fora a manhã estava fria e ali estava eu, quentinha (estranhei o sol, estava mesmo quente! A brincar, ainda pensei que me arriscava a ficar com uma bochecha mais queimadinha...), e ao mesmo tempo sentia o ar fresco que ía enchendo a sala.

E pensei na sorte que tinha estar ali, assim... Senti-me feliz e de alma reconfortada, cheia. Agradeci-Lho.

Claro que com um início assim o meu dia só podia ter sido 'do melhor'! E foi mesmo!

17.1.06

Manhãs lindas...

Gosto destas manhãs frias de Inverno, com o céu muito azul, o sol laranja a começar a despontar sobre o rio, e do outro lado do céu a lua que se despede. Tem sido assim esta semana, a lua cheia a fugir do sol, o contraste do cinza da neblina com a luminosidade quente do sol.

Custa levantar cedo, sair do quentinho? Claro que sim! Mas um espectáculo tão magnífico só é prémio para os madrugadores...!

16.1.06

Radar 97.8

É isto que o visor dos meus rádios, seja em casa ou no carro, mostra quase sempre. 97.8 FM, a frequência da rádio Radar, a "minha" rádio.

Encontrámo-nos por acaso há uns largos meses, numa altura em que, zangada com uma estação, comecei a procurar outros poisos nas ondas hertezianas. Da minha parte, garanto que foi "amor à primeira vista"!

Foi lá que descobri Rufus Wainright e, mas recentemenre, Arcade Fire (o seu álbum Funeral tem sido companhia assídua no trabalho). Magnífico! É lá também que posso ouvir Divine Comedy (STB, ou Simply The Best!), entre muitos outros grupos menos comerciais de que gosto ou que vou conhecendo.

Para além da música, gosto da calma da estação, de recordar músicas antigas (Radar 20 Anos, por exemplo, onde se ouvem relíquias intemporais). Ou o Em Repeat, músicas que se escutam sem parar... Gosto que me surpreenda, como acontece todos os dias. "Respira-se música" na Radar, as palavras são apenas as necessárias e suficientes.

Não me canso de falar na Radar a quem partilha de gostos musicais parecidos. Ou a quem aprecia a sua calma.

E, claro, gera sempre alguma curiosidade se acaso levo no carro alguém que não tem ainda o prazer de a conhecer. A pergunta é invariavelmente algo como: "Radar? A bófia tem um radar por perto?"

É esta a Radar. Uma rádio com alma. A "minha" rádio. Encontramo-nos por lá?

15.1.06

"Ó mar salgado..."

Tempo de Inverno este, hoje. A verdade é que é altura da chuva e do frio, mas que temporal! Apanhando uma aberta, fui passear para a praia. O mar estava cinzento, lindo, forte, brilhante... Avizinhava-se nova chuvada, tão cinzentas estavam as nuvens que se aproximavam. O contraste deste céu negro com o sol que teimava em aparecer resultava numa luminosidade espectacular!

Os minutos que ali fiquei, em cima de uma escarpa, a olhar o mar, encheram-me a alma. O mar fustigava as rochas cada vez com mais força, saltava, a espuma salpicava-me a cara, apetecia não sair dali...

Enamorados e famílias passeavam também por perto, enfrentando o frio mas apreciando aquele belo espectáculo... Um pai procurava mostrar os seus dotes no domínio dos papagaios, mas que o vento teimava em contrariar...

Por momentos esqueci o mundo à volta e pedi ao mar alguma da sua força para mais uma semana de trabalho. Não sei se resultou, mas que voltei com muita mais energia e boa disposição, isso é garantido!
(Tive pena de não ter levado a máquina fotográfica. O que perdi! Por outro lado, sei que na máquina não poderia captar toda a magia daquele bocadinho. Assim, só me resta guardar a imagem e revivê-la. E nos próximos dias, quando precisar de recarregar baterias, volto aquela praia, aquele momento mágico...)

1.10.05

Amigos

Demorei alguns dias a voltar aqui... e não foi por certo por falta de vontade de grasnar. Motivos não têm certamente faltado!
Nos últimos dias, por diferentes razões, recebi novas de amigos espalhados por vários países. Apesar de não nos vermos com frequência (pelo contrário!), criaram-se laços tão fortes que nem a distância nem o tempo conseguem apagar! Conheci alguns há 14, 15 anos, e privámos apenas durante algumas semanas. Mas as circunstâncias foram tão especiais, tão únicas, que apesar de em alguns casos não nos termos voltado a encontrar, continua a ser natural pegar no telefone e perder a noção do tempo enquanto pomos a conversa em dia (como se isso fosse possível!), ou teclar no Messenger horas sem fim. E a colecção de postais que cada um orgulhosamente guarda espelha os carimbos dos passaportes dos outros!
Aventuras várias, longas e irrepetíveis viagens, reuniões de trabalho, ... foi aqui que encontrei estes 'bálsamos' para os dias + complicados. Tantas histórias guardamos, daquelas que não podemos contar a mais ninguém porque ninguém acreditaria (curioso: 'sofremos' todos deste mesmo problema, onde quer que estejamos, e discutimos já isto!) . E quando me sinto mais 'em baixo de forma', ouvir no outro lado da linha um sonoro 'Hello' com sotaque de um país do norte da Europa ou árabe, por exemplo, é suficiente para me dar um choque de 'vitaminas' capaz de me levar à Lua!
E quando se dá o milagre de nos reencontrarmos, é como se nos víssemos todos os dias: a conversa flui naturalmente, sem silêncios incómodos, como se nunca tivesse parado, como se tivéssemos estado sempre a caminhar lado a lado e soubéssemos tudo uns dos outros. Alguns constituíram família, mas a harmonia e a confiança mantêm-se.
Independentemente dos amigos que sei que tenho por perto, aqui, e com quem me encontro com mais facilidade, acho que não conseguem estar 'tão perto' de mim com estes meus Amigos. Com quem me sinto tão à-vontade e quem me fazem tão bem: enchem-me o coração e fazem-se sentir a pessoa mais sortuda do mundo...! ;)

19.9.05

Mais um sinal preocupante...

Os últimos dias têm sido pródigos em novos (ditos) reality shows na nossa televisão. Não quero de modo algum desperdiçar o pouco tempo livre que tenho, por isso não acompanho este tipo de programas. Mas no meio de um zapping por vários canais, há pouco, pareceu-me ver um ou dois soldados. Parei um pouco nesse canal para me certificar: qual o meu espanto ao ver que sim, que se trata de alguns elementos do exército português, do nosso exército, que agora se dedicam a (teoricamente) ensinar a uns tantos gabarolas e auto-proclamados celebridades (e tão ocos quanto convencidos!), live on TV.

Como é que é possível isto? Ao que chegámos...! Numa altura falam de direitos e reivindicam a continuação das mordomias e benefícios de que há muito gozam, como é possível permitir-se tamanha promiscuidade entre uma classe que - concordemos em absoluto ou não -, representa(ria) o que de mais sério e honrado há no ser português, com toda a imagem de rigor e disciplina que todos lhe associamos, e personagens tão inqualificáveis como José Castelo Branco ou o seu 'amigo' Frota, Valentina Torres ou a Romana? Qual é o objectivo de tudo isto? Dir-me-ão que também têm direito aos seus 15 minutos de fama... ou a ganhar mais uns cobres. Concordo, mas apenas enquanto civis! Uma instituição que se quer séria e que transmita valores não pode rebaixar deste modo! Ninguém vê isto? Ou a guerra das audiências tudo permite?

18.9.05

O primeiro grasnar

Após muitos meses de hesitações e de falsas partidas, eis-me finalmente chegado ao mundo dos blogs, a este imenso lago onde espero encontrar um cantinho para um ou outro grasnar entre dois mergulhos.

Como qualquer outra ave aquática palmípede lamelirrostra (uffa, que nome complicado!), grasno quando estou contente, quando estou triste, quando estou assim-assim, enfim, quando me apetece mostrar a quem também está neste lago que gosto ou não gosto de qualquer coisa. Não há tabus nem há 'linha editorial' definida para este meu grasnar; aqui poderás encontrar um pouco de tudo.

Se me quiseres ajudar a descobrir este lago, podes escrever-me. Assim, este fica a ser o meu / teu / nosso cantinho, e o nosso lago fica mais bonito porque o descobrimos juntos.